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A Arquitetura e o Desenvolvimento Tecnológico do Século XIX





texto pelo Arq. Marcos Delgado
Disciplina: Teoria e História da Arquitetura e do Urbanismo
Departamento de Engenharia e Ciências Exatas - DEEX
Curso de Arquitetura e Urbanismo

A Arquitetura e o Desenvolvimento Tecnológico do Século XIX



O ponto marcante dos sistemas estruturais arquitetônicos, baseia-se na formação do ambiente que será local de desenvolvimento de atividades humanas.
A estrutura arquitetônica além dos cuidados técnicos em manter a estabilidade da construção (caráter estático), tem o comprometimento maior de caráter psicológico e estético.
Neste ponto é importante diferenciar a tecnologia da arquitetura e a tecnologia da engenharia.
Foi com a realização das primeiras estruturas metálicas para pontes e edifícios que se encaminhou decisivamente o processo de tecnologia da construção do século XIX.
Contribuições importantes:

O sucesso de público contribuiu para a criação de condições subjetivas favoráveis à plena manifestação de uma nova arquitetura.
O fator decisivo das mudanças realmente substantivas no campo da arquitetura, resulta fundamentalmente nas exigências programáticas (programa de necessidades). São elas que manifestando necessidade, interesses e aspirações individuais e sociais, induzem as transformações artísticas e o desenvolvimente da arquitetura e da tecnologia específica.
A arquitetura da burguesia feita em ferro, vidro e luz tem seu ponto culminante na GALERIA DAS MÁQUINAS do arquiteto Ferdinand Dutert para a exposição mundial de Paris, em 1889.

Obras importantes no Desenvolvimento Tecnológico

1818-1821 - Pavilhão Real de Brighton (Jonh Nash) - Pela primeira vez a coluna de ferro fica a vista num "ambiente elegante".
1824 - Construída em ferro, a nave do mercado de la Madeleine - Paris.
1833 - Hibernáculo do Museu de História Natural de Paris (Charles Rahault de Fleury).
1851 - Palácio de Cristal - para a primeira Exposição Internacional de Londres. Foi a primeira exposição mundial da história da humanidade.
1853-1867 - Os projetos de Hector Horeau que mesmo não tendo sido executado nenhum deles, tinham em seu desenvolvimento o espírito dos novos tempos, ou seja, precisão e racionalidade.
Hector Horeau participava da mesma linha de arquitetos com Labrouste, Durand, Viollet-le-Duc.
Para Henry Labrouste, "A beleza de um edifício decorre menos de sua ornamentação ou do seu estilo, do que das suas qualidades lógicas e racionais". Um exemplo desta sua racionalidade é a Biblioteca Nacional de Paris (1862-1868).
Para Eugéne Emmannuel Viollet-le-Duc "Se a forma indica claramente o objeto e faz entender o fim para o qual ele foi produzido, esta forma é bela. É por isso que as criações da natureza sempre são belas para o observador (...) A máquina é a expressão exata da função que ela desempenha: nós artistas não temos necessidade de irmos mais longe.
As passagens cobertas e galerias, os hibernáculos, as concepções revolucionárias de Hector Horeau, o Palácio de Cristal da exposição de Londres, os trabalhos de Labrouste e as lições de Viollet-le-Duc, lançam os fundamentos programáticos, os materiais e as técnicas (condições objetivas), e o suporte teórico e da opinião pública (condições subjetivas), para a plena afirmação da nova arquitetura.
AS EXPOSIÇÕES UNIVERSAIS

As exposições universais tinham o objeyivo de divulgar as novas tecnologias e produtos que surgiam no bojo da industrialização. Assim sendo 16 exposições ocorreram no séc. XIX. São elas:
- 1851 - Londres;
- 1855 - Paris;
- 1863 - Londres;
- 1867 - Paris;
- 1873 - Viena;
- 1876 - Filadélfia (EUA);
- 1878 - Paris;
- 1879 - Sdney (Austrália);
- 1880 - Melbourne (Austrália);
- 1883 - Amsterdã (Holanda);
- 1885 - Antuérpia (Bélgica);
- 1885 - New Orleans (EUA);
- 1888 - Barcelona (Espanha);
- 1888 - Copenhague (Dinamarca);
- 1899 - Bruxelas (Bélgicas);
- 1889 - Paris.
Entre a Exposição Universal de Londres (1851), e a Exposição de Paris em 1889, formulou-se na Europa novos programas de necessidades. Entre eles as grandes lojas de departamentos (magazins). Exigência da Revolução Industrial, que redimensionou o comércio não só na escala mundial, mas também à escala da cidade. Nesse processo aumentam extraordinariamente o volume e a variedade das mercadorias em depósito e em oferta, mercadorias que devem ser armazenadas, distribuídas e colocadas à venda, buscando atender à demanda de uma massa crescente de consumidores. E buscando, inclusive, criar novas necessidades de consumo, no rumo das atuais sociedades de consumo dirigidos (ex. os docks à bon marché). É o caráter dominante da nova sociedade que começa a se delinear como "socieade de consumo".
A construção do Bon Marché por Boileau e Eiffel, constituiu a primeira grande loja moderna em ferro e vidro, assegurando livre afluxo de luz natural aos interiores. Esse prédio contrastou com o tipo de prédios comercias da época constituídos por pavimentos superpostos e iluminados artificialmente na maior parte dos seus espaços. Boileau constatou que as paredes maciças não se adaptavam bem ao tipo de espaço conveniente às grandes lojas e a estrutura deveriam ter colunas de pequenos diâmetros. Destaca-se, portanto, no Bon Marché, a ampla superfície envidraçada, os vidros dispostos em série, sem nenhuma interrupção. A marquise, também em vidro, se estende ao longo de toda a fachada da loja, por cima das vitrines, acentuando ainda mais o efeito dos seus grandes vidros.
A Exposição Universal de Paris, em 1889, é considerada o ápice da onda de construções de grandes pavilhões e da arquitetura em ferro e vidro ocorrido na Europa no séc. passado. A Torre Eiffel (Gustave Eiffel) e a Galeria das Máquinas (Ferdinand Dutert).
Tal como na Europa, os Estados Unidos tem sua nova arquitetura intimamente relacionada com os interesses da indústria e do comércio. O ferro e o vidro também foram os principais materias empregados, mas ao contrário da Europa, difunde-se nos Estados Unidos, o sistema estrutural de esqueleto e com base também na invençõ do elevador (Otis- 1853), surgem os edifícios com muitos pavimentos - os arranhas-céus.
Os arranha-céus (condições objetivas) respondiam às exigências de um vigoroso processo de urbanização desencaeado nos EUA e da especulação imobiliária ecorrente. As condições subjetivas, por sua vez estavam fundamentadas no descompromisso da população americana com qualquer tipo de tradição arquitetônica mais elaborada.