Colheita e Irrigação

Colheita

O método de colheita depende de vários fatores, dentre os quais, a tradição local, o clima, a variedade, e a finalidade a que se destina o fruto. Por exemplo, no Sri Lanka a variedade gigante, não desprende seus frutos quando estão maduros e por tanto, devem ser cortados. Por outro lado, na Nova Guiné, os frutos caem por si só, e geralmente se deseja que isso ocorra. As variedades anãs tem vantagens evidentes para a colheita mesma assim algumas variedades anãs crescem a uma altura considerável, e nunca alcançam as das variedades gigantes, que as vezes chegam a 30 metros de altura. Em ambas, quanto mais velhas as árvores estão, mais difícil resultam suas colheitas. Uma das característica mais importante do coco é ter uma produção escalonada durante todo o ano, em virtude a sua floração ser ininterrupta. O tamanho dos frutos a serem colhidos, depende de seu uso final. Quando se quer utilizar a água do coco para consumo in natura, os frutos são colhidos quando estão tenros (verdes) a partir de 6 a 8 meses após abertura da espata. Nesta fase de desenvolvimento os componentes da água do copo chegam ao máximo, em torno de 5%, quando se considera seu sabor ótimo, e o máximo de volume de água (em torno de 500 a 600 ml) para um coco de bom tamanho. Para alimentação local o coco pode ser colhido em várias fases de desenvolvimento, desde que estejam totalmente maduros, ou antes, caso seja para consumo in natura, ou para a indústria de envasamento. A parte gelatinosa do endosperma, tem sido empregado para alimentação infantil. Em uma fase mais avançada, se utiliza para rápida refeição e preparo de produtos fermentados ou quando se encontra totalmente madura, se consome natural, geralmente ralada, ou é usado para extração do leite de coco. O coco para industria é colhido completamente maduro, em torno de 12 a 14 meses após a abertura da espata. Para a produção de copra e coco ralado, a coleta deve ser realizada quando os frutos estiverem completamente maduros. A copra obtida de coco verde, tem mais água e menos leite de coco, sendo mais difícil de completar sua secagem. De acordo com o ciclo de crescimento biológico, um cacho maduro é colhido a cada 25 a 30 dias, segundo a variedade. A colheita de cocos maduros pode ser através de dois sistemas: colheita dos frutos caídos ou colheita retirando-se o fruto da árvore. A colheita de frutos caídos é mais econômica e prática. Contudo, devido as perdas que ocorrem no chão, particularmente, quando há muita vegetação cobrindo o terreno, oculta os frutos caídos, que ficam perdidos. Outras perdas são devido a possíveis ruptura de alguns frutos ocasionada na queda. Devido essas perdas, nem todos os cocos produzidos atingem a fase de processamento. Uma desvantagem da colheita quando o fruto cai é a impossibilidade de inspecionar a copa da árvore, e de localizar, um possível ataque de praga ou doenças. A colheita de frutos, subindo na árvore, apresenta uma série de inconvenientes. Há perigo, principalmente, quando o tronco está molhado, como também este método apresenta pouca eficiência. Na colheita diretamente na árvore, os cachos, ou são cortados com uma pequena foice na extremidade mais longa, deixando os frutos caírem no chão, ou são descidos amarrados em uma corda ou em cestos, para evitar as perdas. Este método não é muito eficiente, pois cocos maduros podem ser derrubados juntamente com os do mesmo cacho não maduros. O colhedor de coco, sobe na estipe com ajuda de dois laços de cordas ou peias, para cada pé, constituindo uma espécie de degrau de corda, que se desloca com o colhedor. Este ao atingir o cacho a ser colhido, com um podão, corta os cachos de cocos maduros ao mesmo tempo que procede à poda das folhas secas e à limpeza, e outro trato cultural caso seja necessário, como controle de pragas e doenças. Um método mais geral para colheita dos frutos em coqueiros mais baixos, pode ser com uso de escadas ou com um suporte (vara), com uma pequena foice, curvada, na extremidade mais longa.

Irrigação

Irrigação no Coqueiro

A cultura do coqueiro anão é cultivada em quase todos os estados brasileiro, principalmente na região nordeste. A expansão desordenada, exige que pesquisas sejam desenvolvidas para definir os parâmetros regionais, utilizado no manejo da cultura.

A IRRIGAÇÃO DO COQUEIRO NO BRASIL

INTRODUÇÃO

A cultura do coqueiro anão (Cocos nucifera L.) exige grande quantidade de água durante seu crescimento vegetativo e na fase de produção de frutos com boa qualidade, sendo assim, dificilmente encontrará água disponível em quantidades adequadas para atender a demanda evapotranspirativa em condições de cultivo em sequeiro. O coqueiro é uma planta essencialmente tropical e encontrou no Brasil excelentes condições climáticas, para seu pleno desenvolvimento e potencial produtivo. A cultura encontra condições climáticas favoráveis entre 24°N e 23°S de latitude, temperatura média anual em torno de 27ºC, com oscilações de 5° a 7°C, umidade relativa entre 65 a 85%, pluviosidade entre 1.200 a 2.200 mm anuais, bem distribuídos. O coqueiro não desenvolve-se bem sob qualquer sombreamento ou condições de intensa nebulosidade, para tanto, exige em torno de 2.000 horas de luz de sol/luminosidade/ano e 120 horas/mês como limite quantitativos. Os ventos fracos e moderados com velocidade de até 4 mps beneficia o desenvolvimento da cultura, estimulando a absorção de água e nutrientes pela planta. Ventos frios são indesejáveis, já que prejudicam o desenvolvimento da mesma. A cultura desenvolve-se melhor em solos com textura média, permeáveis e férteis, sendo que de 70 a 90% de seu sistema radicular fasciculado estão distribuídos entre 0,2 a 1,0 m de profundidade e até 1,50 m de raio da estipe da planta. É uma cultura que exige cuidados em relação aos tratos culturais, principalmente a irrigação. A ocorrência de déficit hídrico na fase de produção afeta o desenvolvimento e formação dos frutos. A baixa pluviosidade em algumas regiões pode ser compensada pela situação favorável do lençol freático, pois a cultura desenvolve seu sistema radicular profundo, conseguindo resistir a déficit hídrico nos períodos com escassez de chuvas. A irrigação possibilita elevar a produção além de suplementar a quantidade total de água que a planta necessita durante o período de seca, e mantém um nível normal de água disponível no solo durante o ciclo da cultura para produzir frutos com qualidade, destinados ao comércio interno e exportação.

NECESSIDADE HÍDRICA

O fruto do coqueiro anão é extremamente rico em água (em torno de 450 ml). A diferenciação das flores femininas, ocorre no palmito e a emissão da espata dura em torno de doze meses, quando esta abre-se e é polinizada. O fruto desenvolve-se e é colhido seis meses após a abertura da espata. A ocorrência de déficit durante a fase de produção irá comprometer a diferenciação e consequentemente a produção no ano seguinte. Devido ser a cultura extremamente sensível ao déficit hídrico, em regiões com precipitações irregulares ou inferiores a 1.200 mm/ano é necessário a suplementação com água através da irrigação. Em regiões semi-áridas, onde a precipitação pluviométrica na sua maioria varia de 400 a 700 mm/ano e distribuída em 3 a 4 meses do ano, com escassez de chuvas nos meses restantes a irrigação é indispensável.

IRRIGAÇÃO NECESSÁRIA

Á água necessária para atender a demanda evapotranspirativa de uma cultura é um importante parâmetro a ser considerado no planejamento, dimensionamento e manejo da irrigação. A irrigação pode ser suplementar, para corrigir a escassez de chuvas ou total sem considerar a precipitação efetiva, de modo que não limite o crescimento e produção da cultura.

METODOS DE IRRIGAÇÃO

A cultura do coqueiro adapta-se bem aos diversos métodos de irrigação, dentre eles; irrigação por superfície com sulco, irrigação por aspersão e irrigação localizada. A escolha do método de irrigação adequado depende de vários fatores a ser considerados, tais como, clima, tipo e topografia do solo, quantidade e qualidade da água disponível, práticas culturais e custos de implantação e operação do sistema. Normalmente os sistemas de irrigação por sulcos são os de menor custo de implantação por unidade de área, os de aspersão convencional de custo médio e os localizados de maior custo. Quanto aos custos com operação do sistema, há uma inversão na ordem, Os sistemas de menor custo são os localizados e os de maior custos os sistemas de irrigação por sulco. Com relação a operação dos sistemas de irrigação no campo, os sistemas de irrigação localizado e por aspersão são os que apresentam mais facilidade na condução do que o sistema de irrigação por sulco. A irrigação localizada No método de irrigação localizada, a quantidade de água necessária é fornecida individualmente a cada planta, sobre uma área limitada da zona radicular, através de redes de tubulações. A água é aplicada no solo através de emissores, em pequena intensidade e alta freqüência, para manter a umidade próximo da ideal, que é a de capacidade de campo, de modo que as perdas por percolação e por escoamento superficial sejam minimizados. Os sistemas de irrigação por gotejamento e microaspersão são os mais difundidos, sendo, o primeiro o mais antigo no Brasil (1972) e, o segundo, o mais recente (1982). Diferem entre si quanto ao sistema de aplicação. Um sistema completo de irrigação localizada consta de conjunto motobomba, cabeçal de controle, linhas de tubulações (de recalque, principal, secundária e lateral), válvulas e emissores (gotejadores ou microaspersores). O conjunto motobomba é normalmente de menor potência, em virtude das pequenas alturas manométricas e das pequenas vazões do sistema. O cabeçal de controle é o cérebro do sistema. Nele ocorrem vários processos fundamentais, tais como a filtragem da água, a mistura dos produtos para quimigação e a distribuição da água para os vários setores. É composto de filtros, válvulas, manômetros e injetor de fertilizantes. Os filtros são de três tipos mais comuns: de areia, de tela e de disco. O de areia é usado para reter o material orgânico e partículas maiores e, por isso, é o primeiro filtro do sistema. Sua limpeza é feita facilmente com a retrolavagem, recomendada a cada aumento de 10 a 20% da perda de carga normal do filtro, quando limpo (aproximadamente 20 kPa). Em algumas condições especiais de qualidade da água ou mesmo em alguns sistemas de microaspersão, pode-se dispensar seu uso. O filtro de tela tem grande eficiência na retenção de pequenas partículas sólidas, como a areia fina, porém entopem facilmente com algas. A tela usada apresenta orifícios que podem variar de 0,074 mm (200 mesh ou malhas por polegada) até 0,2 mm (80 mesh). Constitui, juntamente com o filtro de areia, o sistema de filtragem mais usado. Os filtros de discos têm forma cilíndrica e são colocados na linha, em posição horizontal. O elemento filtrante é composto por um conjunto de pequenos anéis, com ranhuras, presos sobre um suporte central cilíndrico e perfurado. A água é filtrada ao passar pelos pequenos condutos formados entre anéis consecutivos. A qualidade da filtragem vai depender da espessura das ranhuras. Na maioria dos coqueirais irrigados no Brasil até a década de 80, com irrigação localizada, dava-se preferência a irrigação por gotejamento, e ainda hoje vem sendo utilizada, principalmente nos Estados da Paraíba e Ceará. Atualmente a irrigação localizada por microaspersão, vem sendo utilizada em grande escala, em razão das vantagens que o próprio sistema apresenta como aumento da eficiência do uso da água e nutrientes, além de melhor adequar o perfil do bulbo úmido ao sistema radicular da cultura. A microaspersão na cultura do coqueiro, se expande em todo o Pais, principalmente nos municípios de Petrolina-PE, Juazeiro, Anagê, Bom Jesus da Lapa-BA, Varjota, Paraibaba-CE, Norte de Minas, Platô de Neópolis–SE e São Mateus, Vila Valério e São Gabriel da Palha–ES. A irrigação localizada: Gotejamento e Microaspersão A cultura do coqueiro exige grande quantidade de água durante seu desenvolvimento vegetativo e fase produtiva.. A irrigação, além de favorecer o desenvolvimento da planta, contribui para a precocidade de floração, que ocorre a um (01) e oito (08) meses que a partir daí produz continuamente. O suprimento adequado de água a cultura promove aumento da produtividade e a produção de frutos durante ano inteiro. A cultura do coqueiro adapta-se bem a diversos métodos de irrigação, dentre eles a irrigação por sulcos, a aspersão convencional e a irrigação localizada. No método de irrigação localizada, a quantidade de água necessária a cultura é fornecida individualmente a cada planta, sobre uma área limitada da zona radicular, através de redes de tubulações. A água é aplicada em pequena intensidade, e alta freqüência para manter a umidade do solo na região explorada pelas raízes próxima à umidade de capacidade de campo, de modo que as perdas por percolação e por escoamento superficial sejam minimizadas. Atualmente, a irrigação localizada vem sendo utilizada em grande escala, em razão das vantagens que o próprio método apresenta, como aumento da eficiência do uso da água e nutrientes, além de maior economia de mão-de-obra, água e energia, pois, molha somente parte da superfície do solo. Os sistemas de irrigação por gotejamento e microaspersão são os mais difundidos, sendo, o primeiro o mais antigo no Brasil (1972), e o segundo, o mais recente (1982). Diferem entre si quanto ao sistema de aplicação. No sistema por gotejamento, os gotejadores normalmente trabalham com pressões de serviço de 10 a 30 mca, cujas vazões variam de e 2 a 16 l.h-1, sendo mais comum na cultura do coqueiro, gotejadores com 4 l.h-1, dependendo do espaçamento entre gotejadores Os gotejadores são mais sensíveis ao entupimento, e proporcionam uma maior concentração do sistema radicular do coqueiro. No caso da microaspersão no cultivo do coqueiro, os microaspersores normalmente também trabalham com pressões de serviço de 10 a 30 mca, atingindo vazões entre 20 a 100 l.h-1, sendo mais comum microaspersores com 30 a 50 l.h-1. Eles são menos sensíveis ao entupimento quando comparados aos gotejadores. Na irrigação por gotejamento, deve-se usar no mínimo dois (02) gotejadores por planta, enquanto na irrigação por microaspersão usa-se apenas um (01)microaspersor por cova. Na opção por microaspersão ou gotejamento, deve-se levar em consideração o tipo de solo, a quantidade e qualidade da água a ser utilizada. Se a água for escassa, e de baixa qualidade principalmente quanto à salinidade, com possibilidade de promover salinização, e se o solo for de textura média a argilosa deve-se dar preferência ao gotejamento, por proporcionar melhor volume de solo umedecido e menor incidência danoso dos efeitos da salinidade no solo e na cultura. Nos solos arenosos, a microaspersão seria a mais recomendada, pois propiciará maior volume de solo molhado, neste tipo de solo, pois a água penetra e se move com maior velocidade, sendo necessário uma área de umedecimento maior, beneficiando o sistema radicular do coqueiro. Nas regiões com pouca possibilidade de salinização e independente do tipo de solo, como é o caso das zonas litorâneas, cerrados, etc, o mais recomendado seria a microaspersão. Deve-se levar em consideração na momento de optar por um ou outro sistema localizado, a qualidade da água de irrigação. Água com alto teor de sais e matéria orgânica, pode ao longo do tempo promover obstruções nos gotejadores ou microaspersores.

Aspersão convencional:

Neste método a água é aplicada na forma de chuva artificial com fracionamento do jato d’água, originando gotas que espalham pelo ar e atingem o solo.