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Originária da Amazônia,
árvore em Copacabana é
incluída em lista de
preservação
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Sob o assacu, nos anos 30, posam
Sylvia (no colo) e Sophia, filha
e mulher de Schuback, o responsável
pela preservação da árvore
O repórter enganou-se,
a década é a de 1920
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Rafael Sento Sé
NINGUÉM SABE muito bem como a árvore típica da Amazônia foi parar na esquina da Rua Pompeu Loureiro com a Travessa Santa Leocádia, em Copacabana. Certo é que a frondosa espécie centenária, da altura de um prédio de sete andares, e nome curioso, assacu, deve muito de sua preservação à família Schuback, antiga proprietária do terreno onde está plantada. Quando vendeu a propriedade, o representante comercial Otto Schuback fez constar em cartório que a Hura crepitans, de que tanto gostava, só poderia ser derrubada depois que ele morresse. Schuback morreu em l968, mas a vida da árvore foi preservada. E, a partir de quinta-feira, Dia da Árvore, o assacu não correrá mais o risco de ser cortado: será incluído na lista de Árvores Notáveis da Cidade, da Fundação Parques e Jardins -- uma espécie de tombamento.
Tombar uma árvore pode soar como excesso de zelo pelo verde, mas esses seres que dão sombra podem contar tanto sobre a história da cidade quanto um prédio em estilo art déco. As plantas, assim como as construções, refletem os gostos de uma época. Neto de Schuback, Carlos Henrique Brack, 71 anos, não lembra de muitas histórias sobre o assacu, mas guarda com muito carinho a foto da mãe no colo da avó à sua sombra. «Não é uma homenagem só ao meu avô. Muita gente admira e gosta da árvore», desconversa Brack.
Além da boa sombra, o assacu dá um fruto que os ingleses batizaram de monkey's dinner bell, que, numa tradução livre, seria sino de jantar de macaco. Faz um barulho alto quando se abre. Uma das explicações para o nome inusitado da espécie está nas propriedades laxantes de suas sementes, que, segundo o Dicionário de plantas úteis do Brasil, são «um purgante enérgico, drástico e violento», porém tóxico.
Também vão fazer parte da lista de Árvores Notáveis o conjunto de quase 200 tamarindeiros da Rua Engenheiro Richard, no Grajaú, e as 54 palmeiras das ruas Patagônia, Quito e do Couto, na Penha. Entre as árvores que já tinham sido tombadas, estão as 166 figueiras que embelezam a Avenida Visconde de Albuquerque, no Leblon. Quem passa por ali não imagina, mas o conjunto de árvores foi idealizado pelo paisagista francês Auguste Françoise Marie Glaziou, pioneiro da arborização urbana no Brasil. Recentemente, uma delas caiu por causa de um temporal e, por estar na lista, terá que ser substituída por outra da mesma espécie.
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