INVENTÁRIO
Nasci em 1945, no final da guerra, portanto minha juventude foi uma juventude pós-guerra necessáriamente. Comecei a usar cabelo de James Dean, blusão de couro e beber Cuba Libre o que espantava meus pais burgueses de classe média:
Minha mãe queria que eu fôsse presidente da República e meu pai era chefe de telecomunicações da Viação Férrea Federal da Bahia. Além disso ele sempre foi uma sombra em minha vida. Na realidade, hoje é que ele está sentindo necessidade de se chegar e eu e meu irmão o estamos acatando.
Casei 4 vezes e morei um ano e meio com a carioca Tania com a qual não tive filhos. Foi minha 3 ª mulher.
Anos 50. Meu pai com sua família viajava por todo interior da Bahia inspecionando estações de trens. Eu ouvia muito Luiz Gonzaga e os repentistas da Estrada de Ferro. Meu irmão e eu tomávamos cachaça escondido junto com os matutos do norte. Na cidade, em Salvador, papai ouvia o Repórter Esso, mamãe colecionava revista O Cruzeiro e ficou muito deprimida quando Marta Rocha perdeu por 2 polegadas a mais. Eu, metido em brigas de turma nos bairros, lambreta e conduite.
Naquela época a Bahia estava infestada de americanos que trabalhavam para a Petrobrás. Em 54 surge na América do Norte, Elvis e o Rock 'n Roll caipira além do Blues dos negros do Sul.
Os filhos dos gringos me apresentavam esse novo fenômeno através de discos e revistas. Aprendi Blues e Rock antes deste ritmo ter chegado ao Brasil. Além disso aprendi a falar inglês corretamente.
Troquei minha lambreta por 2 velhos pares de violão e um contra-baixo de pau: baixo acústico.
Perdi a 2a. série do ginásio por três anos para comparecer aos programas de rádio e ao Elvis Rock Club onde se bebia e dublava os artistas americanos.
Eu era o único que cantava e tocava ao vivo.