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O Pensamento Indiano |
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A característica que mais impressiona e maior valor tem no pensamento indiano, é o sentido profundo do problema da vida e do mal, e a conseqüente desvalorização do mundo empírico em que domina o sofrimento e a morte. Compreende-se, portanto, a desvalorização indiana da moderna civilização ocidental, imanentista e humanista, ainda que a Índia deva a sua relativa organização política, econômica e comercial ao império inglês; e compreende-se também a sua desestima da moderna ciência técnica voltada para o domínio do mundo e para o bem-estar material sem se preocupar com a solução dos grandes e eternos problemas do espírito, morais e religiosos. Por isso, a Índia se escandaliza com a idolatria que o mundo contemporâneo manifesta com a força bruta, tampouco conciliável com o cristianismo. Isto não quer dizer que o pensamento indiano tenha achado a solução de um problema tão seriamente sentido. Com efeito, a filosofia indiana não deu essa explicação, devido ao fato de que, fundamentalmente, o mundo e a vida que deveriam ser explicados, fazem parte do Absoluto que deve explicar o problema da vida e, assim, dar sossego ao espírito humano. Esse Absoluto não pode dar explicação ao mundo e à vida, tendo a mesma natureza que eles. Além disso, o monismo indiano, devendo logicamente finalizar no ateísmo por confundir o mundo com Deus, é absolutamente incapaz de explicar o mundo e a vida. Pode-se considerar uma conseqüência do acosmismo (e moralismo) indiano a ausência de uma filosofia acabada e ordenada, qual explicação teorética, crítica e sistemática, do mundo. E também pode-se considerar uma conseqüência do acosmismo (e moralismo) indiano a falta de uma arte, de uma ciência, de uma história indiana, visto precisamente o desprezo, a nulificação indiana do mundo fenomênico, empírico, natural, sensível. A solução racional do problema da vida será, fundamentalmente, oferecida pelo pensamento grego, platônico-aristotélico, que reconhece a realidade do mundo a explicar, e a realidade de Deus que o deve explicar. E, integralmente, será oferecida essa explicação pelo pensamento cristão. Este levará logicamente o dualismo grego ao teísmo, e completará o teísmo com os dogmas revelados da queda original e da redenção pela cruz, sem os quais o problema da vida e do mal não pode ser verdadeiramente explicado. No entanto, cabe ao pensamento indiano o valor particular – na história do pensamento humano – de ter sentido o mundo e a vida como problemas, especialmente por causa do mal e do sofrimento, e o mérito de ter afirmado e praticado a renúncia, a ascética, para a salvação do homem. A filosofia indiana, como a filosofia grega, surge da religião ou, melhor, da mitologia. Mas, enquanto a filosofia grega, no seu desenvolvimento, se afasta criticamente da tradição religiosa e se torna poderosamente individualista, a filosofia indiana fica, pelo contrário, substancialmente ligada à tradição religiosa e é, geralmente, obra coletiva. Os princípios da filosofia indiana são anteriores ao pensamento grego, podendo ser colocados pouco depois do ano 1000 a.C.; e também o seu termo é posterior ao do pensamento grego, porquanto a filosofia indiana chega, mais ou menos, até o ano 1000 d.C.
¹ O Taoísmo é
uma das três religiões oficiais da China. Segundo os críticos, o Taoísmo
seria um amálgama de antigas crenças sistematizadas no livro
Tao-te-King por Lao-tsé (séc. VI a.C.). Cf. Giuseppe TUCCI,
Storia dela filosofia cinese antica, Bologna, 1922. Referências Bibliográficas:
© Texto Produzido Por Rosana Madjarof - 16/06/2011 - Respeite os Direitos Autorais
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