1. DA OBRA
A NOVA CALIFÓRNIA é uma saborosa narrativa satirica em
que a cupidez e o ridiculo do comportamento nacional andam lado a lado.
Parodiando o enredo dos antigos re
latos sobre a "corrida do ouro", nas
Estados Unidos do final do século XIX. o Autor monta um cenário em que, além da
crítica universal ao comportamento humano, ressalta a pobreza de imaginação e
falta de criatividade do Homo Brasilicus.
2. RESUMINDO
Um lugarejo do interior do Rio de Janeiro, Tubiacanga,
recebe um morador estranho que intriga a todos com seu comportamento arredio.
Após algum tempo é admirado por sua generosidade e doçura no trato com as
pessoas. O novo morador, Raimundo Flamel, procura as pessoas mais importantes e
respeitadas do lugar: o farmacéutico Bastos, o procurador Carvalhaes e o Coronel
Bentes para que testemunhassem sua grande descoberta: é capaz de fabricar ouro,
tendo ossos humanos como matéria prima. Em seguida desaparece misteriosamente.
Após alguns dias, o cemitério começa a ser assaltado e as sepulturas
profanadas. Monta-se uma guarda com moradores voluntários, que matam um dos
profanadores ( carva-
lhaes) e prendem o outro ( coronel Bentes). Bentes
revela o nome do terceiro: é o farmacêutico Bastos. Revelado o mistério, as
pessoas vão para suas casas, cada uma delas com o pensamento voltado para um só
objetivo: a riqueza fàcil que resolveria, de imediato, os problemas e atenderia
à fantasia de luxo e bem-estar econômico.
Aos poucos, com o passar das
horas, a cidade parece voltar à calma. Estão dormindo. Mas qual!...
Sorrateiramente os habitantes dirigem-se ao cemitério e buscam reunir a maior
quantidade possível de ossos para produzir ouro. Moças sonhadoras e orgulhosas
de sua brejeirice, senhoras compenetradas, homens respeitáveis, funcionàrios
públicos, comerciantes e humildes trabalhadores engalfinham-se e escarafuncham
as sepulturas em busca da preciosa mercadoria. As máscaras são desvendadas, cada
um com sua essência desprezivel, reprovável e nem sequer sonhada pelos demais. O
tumulto termina em baderna, agressão e mortes. O único a escapar do ridiculo da
situação é o bêbado contumaz de Tubiacanga que, enbragado com o álcool,
não se dá conta ou não quer se envolver em algo tão mesquinho e rigosamente
material.
O farmacéutico foge sem revelar o segredo de se transformar
ossos em ouro.
3. CONCLUINDO
O texto parodia o enredo dos antigos contos sobre a
"corrida do ouro" no Oeste dos Estados Unidos, a final, transformar ossos
humanos em ouro é uma piada macabra para o capitalismo selvagem
Raimundo Flamel, o sábio e respeitado, põe à disposição de homens
ganaciosos (Coronel Bentes e o famaceutico simbolizam o poder, Carvalhaes
é o coletor de impostos) , um conhecimento temível: a riqueza fácil que é
possivel e está ao alcance das mãos. Para alcançá-la, entretanto, é preciso
abdicar-se de valores arraigados como família, tradiçào, respeito aos
antepassados e imagem pública.
Sátira às leis cientificas, tão
exploradas pela literatura realista/naturalista, o texto ri da famosa Lei da
Conservação da Matéria, dos nossos estudos de Química, no Segundo Grau: "Na
natureza, nada se cria, nada se perde. Tudo se transforma.". Ossos humanos são
transformados em ouro, assim como pessoas aparentemente respeitáveis
transmutam-se em seres abjetos, movidos pelo sentimento sórdido da cupidez (um
dos sete pecados capitais).
O autor antecipa a postura jocosa e
irreverente do inicio do movimento modernista e realiza um texto atraente, bem
urdido e com uma fabulação que prende o leitor do principio ao fim, numa
linguagem corrente e de fácil assimilação.