Única obra de relevo de Manuel Antônio de Almeida, foi publicada em folhetins
entre junho de 1852 e julho do ano seguinte sobre o pseudônimo "um brasileiro".
Em vez doas salões aristocráticos e dos ambientes sofisticados, a ação de Memórias...
se passa nas ruas e casebres do Rio de Janeiro do "tempo do rei"(D. João VI).
A linguagem é coloquial, próxima da fala do povo, e teve grande aceitação entre
o público. O romance retrata de modo picaresco a sociedade carioca; as festas,
batizados, procissões. É o romance de costumes. A obra de Manuel Antônio de
Almeida permaneceu como a mais adulta e envolvente da época. Devido a isso,
é considerado como romance pré-realista, apresentando contudo vários pontos
de contato com o Romantismo, como por exemplo o estilo frouxo, a linguagem descuidada
e o final feliz.
O meirinho Leonardo Pataca - pai de Leonardo - conhece no navio Maria das Hortaliças.
Maria, já no Brasil, é flagrada pelo marido com outro homem e foge para Portugal.
Leonardinho é desprezado pelo pai e vai ser criado pelos padrinhos, o Barbeiro
e a Parteira. Desde pequeno provou que não queria nada com preocupações na vida,
era preguiçoso e desordeiro. A vida de Leonardo se dá na dimensão da malandragem
Conhece Luisinha, moça que ele primeiro descreve como "sem graça" mas depois
começa a gostar dela. Adolescente, foi viver com Vidinha e graças à sua malandragem
foi preso e engajado como soldado de milícias. E tinha como chefe o terrível
Major Vidigal. Ainda assim ele foi preso mais uma vez, mas contou com a sorte
de ter uma senhora, ex-amante do Major Vidigal, para inteceder por ele. Além
de ter sido solto, recebe uma promoção e passa a ser sargento de milícias. Por
fim, ele se casa com a agora viúva Luisinha, rendendo-se ao ideal romântico
(o primeiro amor).