O texto é dividido em quatro partes, que delimitam as etapas da história e as transformações ocorridas. Vamos, a seguir, acompanhar cada uma dessas partes.
Primeira parte
Esta parte se inicia com o relato do caso ocorrido
em 17 de novembro de 1 957. Um homem e uma mulher entraram em um bar,
sentaram-se e pediram dois martinis. Ela foi ao telefone e ele foi ao banheiro.
Quando retomaram, a mulher (Carmem) tomou a bebida e caiu morta. Estabelecida a
confusão, ninguém sabe como a polícia chegou. Chegou e, inicialmente, supôs
tratar-se de suicídio. Entretanto logo surgiram as suspeitas de que se tratava
de assassinato. O marido, Amadeu Miraglia, foi considerado como o principal
suspeito. Preso, acabou confessando; mais tarde, em juízo, alegou que fora
torturado para confessar e acabou absolvido da acusação.
Cinco anos
depois, Maria, 2º mulher de Amadeu Miraglia, vai à delegacia apresentar queixa,
porque desconfia que ele quer inatá-la e que usará veneno para que o caso
termine como anterior. Amadeu é interrogado e nega tudo. Levanta a hipòtese de
que ela. Maria, pretende matar-se e jogar a culpa nele. Acrescenta que já está
acostumado com este tipo de injustiça, pois quando criança também foi acusado
pelo pai, injustamente, pela morte de um passarinho.
Segunda parte
Curiosamente, esta parte se inicia da mesma forma que
a primeira, inclusive com a repetição das mesmas palavras. Para o leitor, fica
parecendo que Miraglia e a mulher estão envolvidos num novo assassinato, mas na
realidade o que se passa é a reconstituição do crime. A partir deste momento, o
leitor toma contato com novas informações, que ele terá de juntar às anteriores
para compor um quadro de hipóteses coerentes quanto à atitude dos personagens.
Miraglia conta que ia se casar com Carmem e que ela estava grávida. Miraglia diz
que o filho não poderia ser seu, pois ele era estéril. Miraglia explica que
Carmem se suicidou porque não queria admitir lhe fora infiel. Miraglia diz que
Maria também queria se matar, porque também estava grávida e sabia que o filho
era ilegítimo Em meio a tantas informações, o caso toma vários caminhos, que o
comissário Serpa tenta questionar, concluindo que todas as suspeitas apontam
para Miraglia. A història se repete: Maria vai com Miraglia ao bar, toma um
martini e cai fulminada
Terceira parte
Como se pôde ver, esta história acontece como num
jogo, o de damas por exemplo, em que novas possibilidades de jogadas vão
acontecendo. O detetive Serpa levanta a hipòtese de que Miraglia pretendia
matar-se e Carmem, tomando o martini no cálice errado, terminou morrendo. Neste
momento, Maria lhe telefona para saber se deve tomar o cálice de martini que
Miraglia lhe oferece. Serpa diz que ela deve beber o outro cálice, o que pode
configurar um erro, pois se Miraglia pretendia se matar, ela, Maria, morreria
fatalmente.
Quarta parte
Novamente o leitor é levado a crer num real
assassinato, que acaba por não ocorrer. Maria não havia morrido e resolve
retirar a queixa contra Miraglia, porque se arrependeu e acabou dando o caso
como encerrado. Serpa, finalmente, tem uma pista concreta em suas mãos: a morte
de uma mulher desconhecida, por envenenamento, no mesmo bar onde ocorreu a
primeira morte. O fato leva Serpa a concluir que uma desconhecida havia tomado o
martini de Miraglia e morrera, o que confirma que ele pretendia mesmo se matar.
O final é inconcluso, não deixando qualquer certeza sobre a
culpabilidade ou não de Miraglia.