>Resumo
O título é extraído da Bíblia, remetendo-nos ao Gênesis, é à história
de Rebeca, que privilegia o filho Jacó, em detrimento do outro filho, Esaú,
fazendo-os inimigos irreconciliáveis. A inimizade dos gêmeos Pedro e Paulo, do
romance de Machado, não tem causa explícita, daí a denominação de romance "AB
OVO" (desde o ovo).
É o romance da ambigüidade, narrado em 3ª pessoa,
pelo Conselheiro Aires. Pedro e Paulo seriam "os dois lados da verdade".
À medida que vão crescendo, os irmãos começam a definir seus
temperamentos diversos: são rivais em tudo. Paulo é impulsivo, arrebatado, Pedro
é dissimulado e conservador - o que vem a ser motivo de brigas entre os dois. Já
adultos, a causa principal de suas divergências passa a ser de ordem política -
Paulo é republicano e Pedro, monarquista. Estamos em plena época da Proclamação
da República, quando decorre a ação do romance.
Até em seus amores, os
gêmeos são competitivos. Flora, a moça de quem ambos gostam, se entretém com um
e outro, sem se decidir por nenhum dos dois: é retraída, modesta, e seu
temperamento avesso a festas e alegrias levou o Conselheiro Aires a dizer que
ela era "inexplicável". O conselheiro é mais um grande personagem da galeria
machadiana, que reaparecerá como memorialista no próximo e último romance do
autor: velho diplomata aposentado, de hábitos discretos e gosto requintado,
amante de citações eruditas, muitas vezes interpreta o pensamento do próprio
romancista.
As divergências entre os irmãos continuam, muito embora,
com a morte de Flora, tenham jurado junto a seu túmulo uma reconciliação
perpétua. Continuam a se desentender, agora em plena tribuna, depois que ambos
se elegeram deputados, e só se reconciliam ao fim do livro com novo juramento de
amizade eterna, este feito junto ao leito da mãe agonizante.